quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A Volta

Depois de uma Licença de 2 meses, voltei ao trabalho. Voltar pode ter várias conotações. Depende para onde se volta. Depende para o que se volta. Depende para quem se volta.
Eu voltei para a mesma escola onde trabalhava antes da Licença. E essa foi uma volta enriquecedora. Voltei para onde sou bem-vinda. Fui recebida de braços abertos. Mas de todos os pontos positivos desse retorno, o melhor foi o sorriso e o brilho no olhar de cada um dos meus alunos.
Não há como explicar o valor do abraço de uma criança, quando ela diz que estava com saudade de ti; porque não são só as palavras que uma criança diz. É todo o corpo dela que fala. Ela ainda não aprendeu a disfarçar nada. Ela ainda não aprendeu a fingir.
A alegria que meus alunos externaram foi comovente. Os abraços apertados, os sorrisos, as falas (todos ao mesmo tempo, querendo contar tudo, querendo ouvir tudo, querendo perguntar tudo, querendo ser tudo; tudo ao mesmo tempo; todos ao mesmo tempo).
Quantia alguma paga a alegria de ser bem-vinda entre as crianças. Porque não há nenhum outro espaço tão verdadeiro quanto aquele dominado pela infância.
Por isso, nesse dia 03 de setembro de 2008, depois de ter passado por um período bem difícil, voltar para esta escola, para estas crianças, para este trabalho, foi uma das melhores coisas deste ano.
Só Deus sabe o quanto eu precisava de todos aqueles abraços.
Valeu.
Estou lá de novo. Espero deixar minha marca positiva naqueles coraçõezinhos. Levo sementes. Os solos são férteis. As chuvas são generosas. Não há como dar errado.
Assim seja.

sábado, 26 de julho de 2008

INENARRÁVEL

Sabe aquela coisa que a gente não consegue explicar?
Pois é... é isso mesmo...









(Manuscrito em 26.07.2008 - 04h10min)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

CONFISSÃO

Confesso que fiquei mexida. Não sei até quanto. Não sei até quando. Não sei até porque. Não sei.
Mas confesso que fui tocada.
E confesso que agora ando sobre ovos trincados, que podem quebrar a qualquer passo em falso.
E confesso, tristemente, que não sei o que fazer.
E que detesto não saber.

Não saber gera inércia; paralisa demais, pode, inclusive, sem aviso prévio, fazer voltar atrás.
E eu não quero voltar atrás.
E eu não quero não saber.

Confesso que gostei do toque. Não foi tão profundo. Não foi tão invasivo. Não foi tão forte, nem sequer irresistível. Talvez aí o segredo: não pretendeu ser. Ou pareceu não pretender.
E eu não sei o que fazer...
(Manuscrito em 25.07.2008 - 20h25min - *Depois do feito, do dito, do não-dito, do bem-dito e da constatação...)

PESADELO

Quando minha filha nasceu, montei um quarto pra ela. A coisa mais fofa do mundo. Tudo branco e cor de rosa. Mas ela nasceu aos 7 meses, era muito pequenininha, e eu tinha medo um medo louco que ela morresse, então a coloquei na minha cama.
Com o tempo, o bebê cresceu, o quartinho do bebê virou quarto de brinquedos, que virou quarto de esculhambação, que virou CAOS.
Seis anos se passaram. Outro quarto minha pequena ganhou. Agora já menininha, dispôs-se a dormir nele, bela e faceira.
Quatro noites e tudo ia bem, exceto pela minha saudade (muito bem disfarçada diante de minha filha), e os quilômetros que eu completava todas as noites, somando as idas e vindas entre o meu quarto e o dela, pra verificar se estava bem coberta, se não dormia muito na beirada da cama, arriscando cair, se não tossia, se respirava...
Na quinta noite, ela me chamou: "Mãe, quero dormir contigo; eu tive um pesadelo", disse, chorosa. Contou que a parede tinha grandes olhos vermelhos e braços horríveis, que tentavam agarrá-la. Fiquei tão assustada que a levei de volta para minha cama.
E passo noites inteiras virada para a parede, morta de medo que ela me mostre seus olhos vermelhos. Ainda bem que minha filha está aqui...
(Manuscrito em 25.07.2008 - 17h30min)