Às vezes eu escrevo umas coisas esquisitas, meio sem pé nem cabeça, parecendo vir do nada e sobre nada tratar, ou, pior, ser um emaranhado, difícil de desamarrar. Ora, nessas horas, não enlouqueça, nem tente me decifrar. Perdoe. É o que fazem os homens de bem, quando percebem que o poeta está perdido, lá no mundo dele, nos pensamentos desconexos, que só ele tem.
Breves, médias, longas, loucas notas sobre fatos, pessoas e acontecimentos da vida real desta, que pode até não ser poeta, mas que vê poesia onde quer que pousem seus olhos castanhos, pincelados de azul.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Tudo vira poesia
O cotidiano de um poeta seria intraduzível, não fossem os versos... A gente tem olhos de filme, talvez daí ser tão difícil viver nesse mundo... É como se tudo rodasse, feito película rara, em P&B, dessas que a gente não esquece nunca, e que foi filmada a partir de um livro inteiro de poemas.
Às vezes, tudo anda em câmera lenta e a gente fica só observando, cuidando onde estarão as brechas para a próxima estrofe.
Gosto de pensar que os músicos ouvem melodias por toda parte e que os artistas plásticos vêem quadros e esculturas onde quer que seus olhos pousem, assim como as crianças vêem brinquedo em tudo.
Seria natural que os amantes respirassem coraçõezinhos, mas não; eles respiram o ar um do outro. Ar que, trocado, vira loucura, faz tremer os joelhos, acelera o pulso e se instala na cabeça, onde tatua o nome do amado que, transformado em saliva, enche a boca da mais sublime poesia.
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