sexta-feira, 25 de julho de 2008

CONFISSÃO

Confesso que fiquei mexida. Não sei até quanto. Não sei até quando. Não sei até porque. Não sei.
Mas confesso que fui tocada.
E confesso que agora ando sobre ovos trincados, que podem quebrar a qualquer passo em falso.
E confesso, tristemente, que não sei o que fazer.
E que detesto não saber.

Não saber gera inércia; paralisa demais, pode, inclusive, sem aviso prévio, fazer voltar atrás.
E eu não quero voltar atrás.
E eu não quero não saber.

Confesso que gostei do toque. Não foi tão profundo. Não foi tão invasivo. Não foi tão forte, nem sequer irresistível. Talvez aí o segredo: não pretendeu ser. Ou pareceu não pretender.
E eu não sei o que fazer...
(Manuscrito em 25.07.2008 - 20h25min - *Depois do feito, do dito, do não-dito, do bem-dito e da constatação...)

PESADELO

Quando minha filha nasceu, montei um quarto pra ela. A coisa mais fofa do mundo. Tudo branco e cor de rosa. Mas ela nasceu aos 7 meses, era muito pequenininha, e eu tinha medo um medo louco que ela morresse, então a coloquei na minha cama.
Com o tempo, o bebê cresceu, o quartinho do bebê virou quarto de brinquedos, que virou quarto de esculhambação, que virou CAOS.
Seis anos se passaram. Outro quarto minha pequena ganhou. Agora já menininha, dispôs-se a dormir nele, bela e faceira.
Quatro noites e tudo ia bem, exceto pela minha saudade (muito bem disfarçada diante de minha filha), e os quilômetros que eu completava todas as noites, somando as idas e vindas entre o meu quarto e o dela, pra verificar se estava bem coberta, se não dormia muito na beirada da cama, arriscando cair, se não tossia, se respirava...
Na quinta noite, ela me chamou: "Mãe, quero dormir contigo; eu tive um pesadelo", disse, chorosa. Contou que a parede tinha grandes olhos vermelhos e braços horríveis, que tentavam agarrá-la. Fiquei tão assustada que a levei de volta para minha cama.
E passo noites inteiras virada para a parede, morta de medo que ela me mostre seus olhos vermelhos. Ainda bem que minha filha está aqui...
(Manuscrito em 25.07.2008 - 17h30min)